Opiniões

Cesar Abreu


BiodieselBR.com - 02 jan 2014 - 12:54 - Última atualização em: 16 mai 2014 - 12:09
O sebo mostrou que é viável como matéria-prima

Quando iniciamos a construção da usina de biodiesel do Grupo Bertin, em 2006, muitos eram os comentários sobre o uso do sebo bovino como a principal matéria-prima na produção do biocombustível. Entre outras coisas, diziam que não conseguiríamos atingir as especificações de qualidade da então Resolução 42 da Agência Nacional do Petróleo – ANP.

Hoje, passados quase três anos e já sob vigência da Resolução 07, mais exigente que a anterior, chegamos à conclusão de que estávamos certos e também o quanto evoluímos no uso do sebo como matéria-prima para a produção.

É fato que o sebo viabilizou-se como a segunda matéria-prima mais usada na fabricação do biodiesel brasileiro, o que corresponde a quase 15% da produção nacional, perdendo somente para o óleo de soja (dados ANP).

O biodiesel produzido com o sebo bovino apresenta inúmeras vantagens se comparado com o produzido a partir do óleo de soja, como o número de cetana, a estabilidade e o ponto de fulgor. A única característica que causava preocupação, o ponto de entupimento de filtro a frio (CFPP na sigla em inglês), foi perfeitamente contornado com a mistura do sebo com óleos líquidos no período de inverno.

Esse amadurecimento dos produtores provou que a matriz brasileira pode e deve ser diversificada seguindo uma característica natural do país que, ressalta-se, é um dos únicos a contar com uma diversificação tão grande de matérias-primas. O Brasil pode produzir desde óleo de colza – cultura típica de climas frios – até óleo de palma, que é típica de climas tropicais.

Apesar da produção brasileira de sebo crescer lentamente, pois depende diretamente do número de abates no país e este do aumento do consumo interno e/ou das exportações, o Brasil tem um grande potencial de desenvolvimento, pois abriga grandes produtores de proteína animal. Para se ter uma idéia, a produção brasileira é igual à soma das produções da Argentina, do Uruguai e do Paraguai.

Com este cenário, as barreiras para as exportações da carne brasileira devem diminuir e, com isso, a produção de sebo deve aumentar fazendo, dessa forma, crescer a participação dessa importante matéria-prima na matriz brasileira.

César Abreu - Grupo Bertin